Desde pequena era sensíveis a temas ecológicos. Durante a Eco-92 eu, ainda criança, me envolvi com as atividades propostas na escola e me importei com a questão. Sofria com notícias de tráfico de animais, pássaros engaiolados, desmatamento, indígenas sendo mortos, pessoas sem esgoto ou sem comida. Na praia, em férias de família, briguei com a filha de uns amigos do meu pai que estava tentando coletar peixes para levar para casa. Ela virou o baldinho inteiro na minha cabeça, mas pelo menos salvei os peixes. Chorei quando meus primos, na fazenda do meu tio disseram que o Cavalo Estrelinha tinha sumido porque era o presunto que estávamos comendo. Não comi. Também enfrentava valentões, na rua, que judiavam de cães. Nas aulas de religião sempre escolhia temas socioambientais, ou de reciclagem, ou questões agrárias para apresentar (minha escola era católica, mas progressista, graças a Deus). Brigo contra, ou converso com, ou denuncio quem comete arboricídio ou podas irregulares (quando não tenho sucesso, tenho umas crises de ansiedade e choro bastante).
Com 15 anos eu me tornei vegetariana, por razões ambientais e mais tarde, vegana, por questões animais. Hoje me considero vegetariana, maior parte do tempo vegetariana estrita. Me aprofundei nos estudos, no ativismo (socioambiental e da causa animal), liderei grupos, me formei em Biologia (Univ. Federal de Goiás) e depois Mestrado em Educação Ambiental (Federal do Rio Grande), fiz pesquisas científicas voltadas para causa animal (tanto comportamento animal quanto bioética/experimentação animal e direitos animais). Além de participar todos os anos de congressos científicos e vegetarianos e estar sempre me atualizando com novas formações não-acadêmicas.
No meu percurso de uma pessoa buscadora, questionadora, curiosa e sempre estudiosa, com interesses filosóficos, existenciais, antropológicos etc, também mergulhei em minha espiritualidade e no auto conhecimento, o que me fez entender o quanto somos natureza. A ecologia profunda vem ao meu encontro nessa perspectiva.
Passei a me interessar por terapias alternativas e experimentá-las. Em 2010, três fatos importantes aconteceram na minha vida: as teorias de Felix Guattari (três ecologias), a Ecopsicologia e meu adoecimento (tive uma depressão severa e síndrome do pânico com agorafobia). Isso me levou a, além de fazer terapia e tratamento psiquiátrico, recorrer a tratamentos espirituais e alternativos, incluindo massagem, alinhamento de chakras e a arte da ikebana, o que me ajudaram a me recuperar mais rápido.
A ecopsicologia fazia todo sentido na minha história de vida: natureza + saúde/psiquê... E entendi que para termos um planeta saudável precisamos curar as pessoas, pois nós é que estamos doentes e adoecemos a Terra.
Assim, me profissionalizei nas terapias que fizeram mais sentido para mim (reiki, florais, shiatsu, danças circulares dos florais de Bach, fitoenergética), com intuito de usar a natureza para curar as pessoas e educá-las para que curadas, pudessem cuidar da natureza. Algumas delas eu já tinha feito formação muuiitoss anos antes (reiki, em 2006, eu acho, e florais em 2009. Na verdade, os florais foram o que me despertaram para o mundo secreto e mágico das plantas).
Daí fundei o Instituto Zhoé, que começou também através da arte botânica...
Me senti muito feliz e orgulhosa e útil ao ver que clientes com depressão se livraram dos remédios e melhoraram bastante, de receber clientes recorrentes ou por indicação, por gostarem e confiarem nos resultados do meu trabalho, de saírem sem dores, felizes, com auto estima, com mais clareza mental e saúde física. E até ter inspirado algumas a se tornarem terapeutas!!!
Mas era também um processo educativo para que as pessoas parassem de enxergar a natureza apenas como um recurso. Que éramos natureza, que as plantas compartilhavam o planeta conosco, e não apenas nos servia, e que se os bens naturais nos fazem bem, também devemos retribuir e não apenas parasitar. E me incomodava ter que responder a "que planta é boa pra isso, ou aquilo?" e explicar que meu trabalho não era alopático e não era assim que funcionava. Apesar que sim, há plantas boas para isso ou aquilo, mas como terapia, era um processo integral e de auto conhecimento... Aliás, algo que aprecio demais na fitoenergética é o fato de que se sentir conectado com a natureza é importante e ela trabalha com pequeninas amostras dos vegetais nos seus tratamentos.
A situação política do Brasil me decepcionou grandão e fiquei horrorizada com as pessoas. Fiquei em crise. E quis me afastar. (Se teve algo positivo nisso foi que as máscaras cairam).
Outra coisa que me incomodava BASTANTE era a projeção errônea que as pessoas fazem sobre terapeutas e gente mais espiritualizada. Como se tivessem que ser cordeirinhos como o cristianismo prega, e aquela imagem super nociva de good vibes e "zen", sem ao menos saberem o que é o zen. E eu, toda trabalhada no yang, no sagitário (e supostamente em Iansã) e na deusa Artemis, apesar de ser bastante empática, sensível e introspectiva, sou sim uma mulher que fala palavrão, de sangue quente, descendente de espanhol, celta, indígenas (entre outros), vinda de uma família de sangue quente, latina, e tendo ideias políticas bem fortes, me senti meio auto-anulada e castrada por essa projeção, que não tem a ver comigo. Isso vai contra o auto conhecimento, e até contra os pincípios espirituais em que acredito.
Então, veio a pandemia, ainda atendi online, inclusive foi bom para atender estrangeiros. Mas já estava em crise e comecei a questionar o que fazia meu coração cantar mais. E sempre foi a questão ecológica em primeiro lugar. Algo que pudesse ajudar as pessoas a realmente respeitarem a natureza. A espiritualidade também era algo forte.
Meu gato, amor da minha vida, com menos de um aninho de idade ficou seriamente doente. Isso me fez ainda mais questionar meu trabalho (aliás, os atendimentos eram meio período... eu tinha um outro trabalho fixo) e vi que eu queria muito atender de casa e poder estar mais tempo com quem eu amo e é importante para mim. E ter mais liberdade para meu estilo de vida, não ser obrigada a conviver e trabalhar com pessoas que sequer levavam uma pandemia a sério e me irritavam bastante. Sempre fui do time trabalho solo.
Então resolvi diminuir os atendimentos terapêuticos, me concentrar mais nas leituras do oráculo da natureza e criar um treinamento online sobre auto cuidado natural e escrevi um livro sobre os elementos da natureza. Foi uma experiência muito interessante, desafiadora e de auto crescimento fazer lives e lançamento de infoproduto. Mas...
Querer trabalhar de home office e viver de internet são coisas completamente diferentes. Gente, façam um bem para si mesmos e saiam das redes sociais. Minha vida melhorou depois que abandonei as minhas.
Sério, é opressor e aprisionador viver disso. Logaritmo "não é de Deus, não" como se diz lá em Goiás. Marketing digital é uó e instagram é muito nocivo, principalmente para produtor de conteúdo. Se eu for entrar nesse assunto, vou levar umas 15 páginas escrevendo. E não era isso que eu queria. E como eu poderia falar de autocuidado, conexão com natureza e trabalhar com uma ferramenta que me deixava frustrada, me dava gatillhos de ansiedade, de sentimento de rejeição, de nunca ser suficiente, de ficar sempre me comparando e me sentindo inferior, de achar que meu trabalho era ruim e não valia a pena, ou era idiota e falacioso, que as pessoas só queriam quem fosse divertido e produzisse coisas de 10 segundos ou 1 minuto, que tinha que ficar me maquiando para aparecer em vídeo, que ia contra meu ritmo natural, que tinha que ficar o dia inteiro gravando e editando vídeo, que não me dava mais contato nem comigo nem com a natureza?
E por ironia do destino, foi mergulhar no marketing digital de uma mulher também ligada à espiritualidade, e que também é multipotencial, que foi me mostrando o que ia fazer meu coração cantar e me fazer me sentir plena com meu trabalho. Também estava sentindo saudades de me basear em coisas mais concretas e científicas. (Além de haver pessoas da área que queimam o filme das terapias holísticas, há aqueles céticos que humilham as linhas energéticas). E foi assim que me encontrei como nutricionista vegetariana, e voltei para universidade. Enquanto isso...
No momento, nos tornamos uma instituição que atua com ecologia integral, por meio de:
*Atividades de reconexão com a natureza, em grupo
*Palestras sobre ecologia e auto conhecimento
*Oráculo da natureza
*Workshops online para você cuidar da sua natureza interna no seu dia-a-dia
*Vídeos gratuitos no youtube sobre diversos temas contemplados pela ecologia profunda (diferente de ecologia rasa, que vê a natureza apenas como recursos, e acredita em uma "sustentabilidade" antropocentrada, capitalista e tecnocrata, a ecologia profunda prevê o respeito aos seres não-humanos, engloba espiritualidade, sinergia entre bem-estar humano e planetário e tem visão crítica sobre sociedade e sistemas políticos)
*Programa Ecologia da Boca pra Dentro (canal próprio no youtube), onde falo mais de nutrição vegetariana e sistemas alimentares